sexta-feira, 5 de junho de 2026

Hackers do Bem abre 25 mil vagas para formação em cibersegurança em 2026

Programa Hackers do Bem expande oferta de cursos em resposta à demanda crescente por profissionais de cibersegurança.

O programa Hackers do Bem, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), anunciou a abertura de 25 mil novas vagas para 2026. Os cursos de nivelamento e básico visam formar profissionais em um cenário de acentuado aumento de golpes digitais e ataques cibernéticos.

A expansão ocorre em um momento de escassez global de especialistas em cibersegurança, com um déficit mundial estimado em mais de 4,8 milhões de profissionais, segundo a organização internacional ISC². No Brasil, a falta de mão de obra qualificada impulsiona a necessidade de investimento em formação técnica para a proteção de dados e infraestruturas digitais.

Sucesso e consolidação da iniciativa

Desde seu lançamento em janeiro de 2024, o programa já certificou mais de 36 mil alunos. Leandro Guimarães, diretor-adjunto da Escola Superior de Redes (ESR), destaca o caráter estratégico da iniciativa: “São profissionais treinados para identificar vulnerabilidades, prevenir ataques e fortalecer sistemas digitais com ética e responsabilidade.”

Guimarães ressalta que o Hackers do Bem já se consolidou como uma das maiores iniciativas nacionais e internacionais de formação em cibersegurança, ampliando o acesso de jovens e profissionais às oportunidades de capacitação e inserção no mercado.

Diversidade e novas carreiras impulsionadas pelo programa

Em um setor historicamente dominado por homens, onde mulheres representam cerca de 22% dos profissionais, o programa tem atraído perfis diversos. Patrícia Monfardini, 52 anos, servidora pública, relata seu desafio e sucesso ao mudar de área: “Foi um desafio enorme. Não sabia nada sobre TI, mas, com muita persistência, cheguei à especialização em Red Team. Chorei, estudei e, no final, venci”. Ela já concluiu a residência tecnológica e iniciou um curso de Engenharia de Software.

Marcelo Goulart, 60 anos, em Alto Paraíso de Goiás (GO), viu na iniciativa uma oportunidade de recomeço: “Acreditava que, aos 60 anos, era tarde para aprender algo completamente novo. Mas essa oportunidade me mostrou que nunca é tarde para recomeçar”.

Gabriel Matos, 27 anos, formado em Direito, encontrou na área de forense digital uma nova perspectiva profissional: “Sempre quis trabalhar com segurança, mas achava que isso só era possível na polícia. Quando descobri o Hackers do Bem, foi como encontrar um norte.”

Cibersegurança como política pública

Diante do aumento de vazamentos de dados, fraudes financeiras e ataques a serviços essenciais, a formação de especialistas em cibersegurança integra a agenda estratégica do governo federal. Leandro Guimarães enfatiza que o programa busca consolidar a cibersegurança como política pública permanente, formando profissionais preparados para proteger sistemas críticos e fortalecer a soberania tecnológica do país.

Quem pode participar?

Não há pré-requisito para participar. Estudantes do ensino técnico, médio ou universitário, profissionais de TI que buscam especialização e pessoas que desejam migrar de área de conhecimento podem se inscrever. A formação não exige experiência prévia em cibersegurança.

Como funciona?

A formação inicia com um curso de nivelamento, seguido pelo curso básico. Os níveis fundamental e de especialização incluem aulas ao vivo e atividades práticas em laboratório. A etapa final é a residência T-tecnológica, com atuação prática nos escritórios regionais da RNP e bolsa mensal durante seis meses.

Inscrições

As inscrições são exclusivamente pelo site oficial do programa: https://hackersdobem.org.br.

Com informações da Agência Brasil