quinta-feira, 11 de junho de 2026

Falsa adolescente de 12 anos diz sofrer problemas psiquiátricos após ser presa por golpes

Uma trama de mentiras que se estendeu por 15 anos e atravessou pelo menos seis estados brasileiros começou a ser desmantelada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi presa no último dia 2 de junho após viver durante 14 meses como filha adotiva de uma família em Joinville (SC), fingindo ser uma pré-adolescente de apenas 12 anos. Na última terça-feira (10), ela se tornou ré pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

Em depoimento às autoridades, Amanda tentou justificar a sequência de golpes alegando sofrer de transtornos psiquiátricos desde a adolescência. Segundo ela, houve acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Horizonte, no Ceará, além de tratamento no Hospital de Saúde Mental de Messejana, em Fortaleza.

Diante das alegações, a Justiça de Santa Catarina determinou a realização de um exame de sanidade mental, marcado para o dia 26 de junho. O objetivo é verificar se a acusada possuía plena capacidade de compreender seus atos. Durante o interrogatório, Amanda também admitiu já ter respondido por estelionato após utilizar uma identidade falsa em outro caso.

De acordo com as investigações, Amanda seguia um padrão semelhante em todas as fraudes. Ela procurava famílias acolhedoras, instituições religiosas e redes de proteção à infância, apresentando histórias falsas de abandono, abusos e violência para despertar compaixão. Para sustentar a farsa, adotava voz infantil, comportamento compatível com o de uma criança e diferentes identidades.

A capacidade de manipulação chamou a atenção dos investigadores. Em Joinville, a encenação foi tão convincente que a família que a acolheu chegou a organizar uma festa para comemorar seus supostos 12 anos. Além disso, os “pais adotivos” custearam tratamentos médicos e ofereceram apoio emocional durante mais de um ano.

Em Chapecó (SC), Amanda utilizou a identidade de uma adolescente chamada Melissa para pedir ajuda em uma igreja, afirmando ser vítima de abusos constantes. O caso resultou em denúncia formal do Ministério Público. Já em Florianópolis, enquanto estava acolhida em uma instituição, foi encaminhada ao Hospital Infantil Joana de Gusmão. Um exame de raio-X revelou a presença de diversas agulhas inseridas no próprio corpo.

O histórico de golpes também inclui passagens por outros estados. No Paraná, ela se apresentava como Emily, de 13 anos, e chegou a fingir estar em estágio terminal de câncer. O envolvimento emocional causado pela fraude foi tão grande que uma das vítimas tatuou o nome “Emily” no braço.

No Rio de Janeiro, entre 2023 e 2024, Amanda utilizava o nome Duda e foi acolhida por uma nutricionista em Nova Iguaçu. Com voz infantil, afirmava que era obrigada pelo pai a tomar hormônios e se prostituir, justificando a falta de documentos. Os episódios resultaram em uma condenação por falsidade ideológica em 2025.

Em Minas Gerais, em 2022, ela usou os nomes Ana Clara e Karol, alegando ter 13 anos e ter fugido do Ceará após sofrer graves abusos. Já em Jundiaí, no interior de São Paulo, identificava-se como Ana Clara dos Santos, supostamente nascida em 2009. Na ocasião, mobilizou toda a rede de proteção à infância do município ao inventar uma história de exploração sexual.

Apesar de ter sido presa em flagrante no Rio de Janeiro em 2023 e condenada em 2025 a um ano e dez meses de prisão em regime aberto por falsidade ideológica, Amanda continuou aplicando golpes em diferentes regiões do país. Agora, presa em Santa Catarina, ela responderá pelos danos emocionais e financeiros causados a dezenas de famílias que acreditaram estar acolhendo uma criança em situação de vulnerabilidade.