sexta-feira, 5 de junho de 2026

Empresária passa mal e depoimento é encerrado na CPMI do INSS

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi interrompido após ela passar mal. O mal-estar ocorreu durante as perguntas do relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL). O presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos para que a empresária fosse atendida pela equipe médica do Senado. Ingrid deixou a sessão antes da conclusão de sua oitiva.

Chamada para depor e conexão com esquema

Ingrid Santos foi convocada a depor após Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, informar que não compareceria à comissão. Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A entidade é apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos ilegais em benefícios previdenciários.

Cícero Santos é investigado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes. Segundo a CPMI, parte dos recursos desviados era movimentada em contas de empresas das quais Ingrid era sócia.

Relator destaca gravidade dos crimes

Após a retomada dos trabalhos, o relator Alfredo Gaspar afirmou que a depoente recebeu, além do repassado nas contas da empresa, mais de R$ 13 milhões em dinheiro que seria dos aposentados e pensionistas do Brasil. Ele ressaltou a gravidade do crime praticado e o objetivo de que todos os envolvidos respondam pelo prejuízo bilionário.

Habeas Corpus e silêncio

Antes de comparecer à CPMI, a empresária obteve um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a autorizava a permanecer em silêncio durante o depoimento. Ingrid foi questionada sobre as atividades do marido e seu conhecimento sobre o envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS.

Ela respondeu ao relator que não tinha conhecimento e que não se envolvia com a gestão das empresas, que ficava a cargo de Cícero Santos. Ingrid declarou que para ela tudo era uma surpresa e que a situação de estar ali era muito difícil.

Decisão sobre Daniel Vorcaro

O presidente da CPMI, Carlos Viana, informou que recorrerá da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que desobrigou Daniel Vorcaro de depor ao colegiado. O depoimento do ex-dono do Banco Master estava marcado para o mesmo dia, mas um habeas corpus determinou que ele não seria obrigado a comparecer.

Vorcaro, que está em prisão domiciliar, foi convocado para falar sobre irregularidades em empréstimos consignados e os prejuízos causados a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS. O Banco Master possuía um acordo de cooperação técnica com o INSS para oferta de crédito consignado.

Prorrogação dos trabalhos

Carlos Viana também solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por pelo menos 60 dias. Um pedido de prorrogação foi protocolado na Casa para decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas ainda não houve resposta. Diante disso, Viana cogita recorrer ao STF para assegurar a continuidade dos trabalhos, iniciados em 20 de agosto.

Com informações da Agência Brasil