
A primeira tentativa de acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi recusada pela Polícia Federal. No entanto, os documentos entregues por seus advogados no fim de maio revelaram uma informação inédita: semanas antes de ser preso e de seu banco entrar em processo de liquidação, uma empresa ligada a ele teria elaborado um novo contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O documento, que não chegou a ser assinado, previa o pagamento de R$ 50 milhões.
A revelação consta na proposta de delação de Vorcaro, rejeitada pela Polícia Federal (PF) no último dia 20 de maio. Ainda assim, o banqueiro apresentou uma nova proposta de colaboração na última segunda-feira (1º), com novos nomes e informações, que segue sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Pessoas próximas ao ex-banqueiro afirmam que o novo contrato foi elaborado em agosto de 2025. O objetivo seria garantir o pagamento integral do contrato original de R$ 129 milhões (ou cerca de R$ 130 milhões, segundo fontes) ao escritório de Viviane, caso o Banco Master fosse vendido antes do término do acordo.
O contrato original de R$ 129 milhões
O primeiro contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões (aproximadamente R$ 130 milhões, segundo fontes), foi firmado em 16 de janeiro de 2024. O acordo previa o pagamento de parcelas mensais de R$ 3,6 milhões pelos serviços prestados, com vigência até o início de 2027.
O escritório teria a função de prestar assessoria estratégica, consultiva e contenciosa ao banco junto a órgãos federais de grande relevância, como o Banco Central (BC), a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Em resposta às revelações, o escritório Barci de Moraes confirmou a existência do primeiro contrato por meio de nota. A defesa da advogada afirmou ter prestado os serviços contratados, que teriam incluído 267 horas de trabalho, 94 reuniões e a elaboração de 36 pareceres jurídicos. No entanto, o blog da colunista Malu Gaspar, de O Globo, informou que nem o Cade nem o Banco Central possuíam registros da atuação do escritório nesses órgãos.
Viviane Barci de Moraes é advogada e comanda o escritório que leva seu sobrenome em São Paulo. Casada com o ministro Alexandre de Moraes, ela passou a ganhar destaque no noticiário após ser alvo de sanções dos Estados Unidos, em setembro de 2025, em razão de sua relação com o magistrado. As medidas foram adotadas com base na Lei Magnitsky, utilizada pelo governo norte-americano para sancionar indivíduos envolvidos em graves violações de direitos humanos ou práticas de corrupção.
O contrato milionário com o Banco Master gerou desgaste institucional para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio à repercussão do caso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou pedidos de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a conduta de ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
PF e PGR analisam nova delação
A primeira proposta de delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal no fim de maio. Entretanto, o banqueiro apresentou uma nova proposta na última segunda-feira (1º), incluindo mais nomes e informações.
A análise agora está a cargo da PF e da PGR, que irão avaliar a consistência dos novos elementos apresentados antes de decidir sobre a eventual celebração de um acordo de colaboração premiada.







