
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro avalia a possibilidade de recorrer da decisão que absolveu dois policiais militares da acusação de homicídio qualificado do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em agosto de 2023 na Cidade de Deus. O defensor público André Castro, que atuou como assistente da acusação, afirmou que o conjunto probatório é robusto e que o sentimento da família é de que a verdade ainda não foi estabelecida.
Estratégia de defesa questionada
Castro criticou a estratégia da defesa, que sustentou a tese de legítima defesa, mesmo sem a ocorrência de confronto. Segundo o defensor, os advogados tentaram associar Thiago ao tráfico de drogas, apresentando fotos do jovem em alusão à cultura trap e exibindo imagens dele supostamente portando armas. A Defensoria contesta essa narrativa, argumentando que fotos de adolescentes com armas não os transformam em criminosos e que não havia provas concretas de envolvimento de Thiago com o tráfico.
Provas e depoimentos
O defensor destacou que as provas apresentadas, incluindo vídeos e perícia técnica, não indicavam que Thiago estivesse armado ou que tenha resistido a uma abordagem. Pelo contrário, os vídeos e a perícia demonstram que os policiais efetuaram disparos sem que houvesse uma ordem de parada.
O caso ganhou repercussão após a família de Thiago buscar comprovar a inocência do adolescente, reunindo testemunhas e imagens de câmeras de segurança. Apesar de o momento exato do crime não ter sido gravado, os elementos coletados ajudaram a demonstrar que a vítima não estava armada.
Outras acusações e depoimentos
Além da acusação de assassinato de Thiago, os policiais respondem por tentativa de assassinato de Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, que sobreviveu com um tiro na mão e testemunhou confirmando que os jovens não estavam armados e não houve confronto. Os policiais também são acusados de fraude processual na Auditoria da Justiça Militar, pois houve alegações de que mentiram em depoimento sobre o uso de um carro particular na ação, o que é proibido por norma da Secretaria de Segurança.
O Ministério Público apontou que a perícia não encontrou cartuchos da arma que, segundo a defesa, Thiago teria disparado contra os policiais. A defesa se baseou na palavra de um dos policiais para sustentar a tese de legítima defesa.
Decepção com o veredito
Ao final do julgamento, que durou dois dias, o defensor público expressou decepção com o veredito, não necessariamente pela pena de prisão, mas pelo fato de o Estado não ter reconhecido a violência cometida. A Anistia Internacional também manifestou indignação com a absolvição e criticou o desvio de foco durante o julgamento.
Com informações da Agência Brasil








