segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Bolsa brasileira: dólar dispara 12% após vitória de Lula

A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker nesta segunda-feira (26), após o Ibovespa cair 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. A medida interrompeu as negociações por 30 minutos em meio à forte reação negativa dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O circuit breaker é um mecanismo utilizado para conter movimentos extremos do mercado financeiro. Quando a bolsa registra uma queda acentuada, as negociações são suspensas temporariamente para reduzir a pressão sobre os ativos e permitir que os investidores avaliem o cenário.

Pelas regras da B3, se a queda do Ibovespa atingir 15% em relação ao fechamento anterior após a retomada das operações, as negociações poderão ser interrompidas novamente por uma hora. Caso o recuo chegue a 20%, a bolsa poderá determinar uma nova suspensão, por prazo a ser definido.

A reeleição de Lula provocou forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira. O dólar registrou valorização expressiva frente ao real, chegando a subir 12,25%, para R$ 5,6048, segundo os dados informados durante o pregão.

A movimentação aumentou a pressão sobre o câmbio brasileiro e levantou a possibilidade de a moeda americana registrar sua maior alta diária desde 1999, ano em que o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante.

A maior valorização diária do dólar nesse período ocorreu em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda subiu 11,10%.

No mercado internacional, operadores relataram negociações do dólar a R$ 5,65 na plataforma do CME Group.

Os contratos de juros futuros também apresentaram fortes oscilações após o resultado eleitoral. As taxas subiram expressivamente, enquanto os negócios encontraram dificuldades para avançar devido aos limites de oscilação estabelecidos pela B3, que precisaram ser ampliados duas vezes ao longo do pregão.

Por volta das 9h50, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) apresentavam as seguintes variações:

Janeiro de 2027: passou de 13,465% para 13,89%.

Janeiro de 2028: subiu de 12,855% para 14,915%.

Janeiro de 2029: avançou de 12,64% para 15,03%.

Janeiro de 2031: passou de 12,64% para 15,25%.

Os juros futuros são utilizados como referência para diversas operações financeiras e ajudam a indicar as expectativas do mercado para a trajetória das taxas de juros no país.

Diante da turbulência no mercado de juros, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento de dois leilões de títulos públicos previstos para esta semana.

Foram canceladas as ofertas de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), previstas para terça-feira, e de títulos prefixados, incluindo Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), programadas para quinta-feira.

O órgão informou, porém, que manterá o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos públicos cuja remuneração acompanha a taxa básica de juros, a Selic, previsto para terça-feira.

As medidas ocorrem em um dia de forte volatilidade nos mercados brasileiros, com quedas na bolsa, alta do dólar e elevação das taxas de juros futuros após o resultado das eleições presidenciais.