Artista indígena do Amazonas entra para o acervo Sesc de Arte

O acervo Sesc de Arte Brasileira, selecionou pela primeira vez, a obra de uma mulher indígena amazonense.  Sãnipã, que significa Caba (um tipo de vespa), na língua Apurinã, foi escolhida com a obra obra Totem Apurinã Kamadeni.

O Totem Apurinã Kamadeni, é uma instalação em acrílica sobre madeira composta por ouriços de castanha do Pará e estruturas de ferro.

Apresenta 3 faixas de pinturas corporais e sagradas, sendo 2 dos índios Kamadeni, os olhos do pajé “Noky Zufhy” (grafismo da base da obra, em vermelho e preto) e mulher do pajé, com poder da mãe onça “Dhumahi” (grafismo central da obra, em amarelo e preto) e 1 dos índios Apurinã, denominado “Maka” que é uma pintura de braço do homem que está na fase final para se tornar pajé (grafismo do topo do totem, em vermelho e preto).

A artista compôs a obra com esferas de ouriço de castanha do Pará, pintadas em tinta acrílica, representando outros grafismos mais variados dessas duas etnias. São 73 ouriços de uma produção de 100 (50 da etnia Kamadeni e 50 da etnia Apurinã) expostos sob suaves estruturas de ferro que funcionam como apoiadores destes pequenos universos existentes em cada um dos ouriços.

A entrada de Sãnipã no seleto acervo de 2.600 obras, de aproximadamente 1.800 artistas do Brasil, é fruto da vitória de Sãnipã no Prêmio Destaque-Aquisição da 15ª Bienal Naifs do Brasil, promovida há 30 anos, pelo Sesc Piracicaba, em São Paulo.

A obra foi concebida ano passado, para a exposição “Nipetirã – TODOS”, em comemoração aos 350 anos de Manaus, no Centro de Artes Visuais Galeria do Largo, da Secretaria de Estado Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Manaus Amazônia Galeria de Arte.

Durante os cinco meses em que ficou exposto em “Nipetirã – TODOS”, o Totem Apurinã Kamadeni, foi visto por mais de 10 mil pessoas.

“Eu queria mostrar para todos que tenho uma cultura Apurinã que está viva e que os Kamadeni, ainda não reconhecidos pelo FUNAI, existem e possuem suas histórias, seus mitos e sua arte. Queira mostrar o que nós somos hoje. Pintar para mim significa preservar a cultura do meu povo”, explicou Sãnipã.

Para a Agente de Cultura e Lazer do Sesc Piracicaba- SP, Margarete Regina Chiarella, a entrada de Sãnipã no Acervo Sesc de Arte Brasileira vem somar positivamente em um time consagrado, que já inclui 3 artistas indígenas (Carmézia Emiliano, Arissana Pataxó e Denilson Baniwa), além do coletivo Mahku, composto por 12 artistas indígenas.

“A obra da Sãnipã terá a possibilidade de despertar nas pessoas o desejo de aproximação dos conhecimentos das culturas Apurinã e Kamadeni, mantendo vivo o pedido de socorro que a artista propõe para que se reconheça e se garantam os espaços legítimos das duas culturas, especialmente do Povo indígena Kamadeni”, destacou Margarete.

A artista nasceu no município de Lábrea, nas margens do rio Purus, no Estado do Amazonas, Sãnipã é filha de mãe Kamadeni e pai Apurinã. Foi batizada e registrada no cartório como Maria Antônia Souza Silva, nome que usou até iniciar seu contato com as artes plásticas em 2003.

Sua formação artística foi realizada em Manaus, quando em 2005 formou-se no curso de Pintura da Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC). Foram três anos de intenso mergulho na história de seus antepassados, esforço que a fez ser a primeira indígena da etnia Apurinã a se tornar artista visual.

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