Alunos venezuelanos das salas de transição educacional participam de projeto sobre cidadania

Crianças e adolescentes venezuelanos que fazem parte das salas de transição educacional da Prefeitura de Manaus, com a gestão da Secretaria Municipal de Manaus (Semed), participam do projeto “Língua, cultura e tecnologia na promoção da cidadania e no combate à Covid-19: acolhimento de venezuelanos refugiados em Manaus”, realizado às terças e quintas-feiras, pela plataforma Google Meet.



A ação vai até dezembro, coordenada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio da Faculdade de Letras, e o objetivo do projeto é realizar ações de promoção da cidadania e do combate à Covid-19, por meio do acolhimento virtual.



Em 2019, a Semed implantou as salas de transição para crianças e adolescentes venezuelanos, que estavam nos abrigos institucionais mantidos pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc) e Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas). A ideia era focar na dinâmica das escolas regulares e na língua, para que as crianças sofram o mínimo de impacto.



A assessora técnica da Gerência de Atividades Complementares e Programas Especiais (Gacpe) da Semed, Sandra Lineia Damasceno, destaca a importância do projeto e a parceria da secretaria dentro desse contexto. “Esse projeto cumpre um papel significativo, uma vez que os encontros são direcionados a um público que foi alfabetizado em outra língua e vai frequentar nossas escolas regulares, e como alunos terão acesso aos conteúdos oficiais. Com essa estratégia, a Semed e seus parceiros investem no ensino, aprendizagem, permanência e sucesso desses novos alunos”, comenta.



Com a parceria, a Semed disponibiliza cadernos pautados horizontais, lápis, grafite, borracha, além do material didático. As aulas on-line são ministradas por professores coordenadores da Ufam, além da colaboração de monitores das Aldeias Infantis SOS e Unicef, órgãos que também são parceiros.



As atividades atendem crianças e adolescentes migrantes e refugiados venezuelanos acolhidos em abrigos institucionais, que são alfabetizados, e que ainda não estão matriculados na rede municipal.



Os encontros abordam aspectos linguísticos relacionados à língua portuguesa, idioma de acolhimento dos comunitários em situação de refúgio, além da língua espanhola, idioma falado por esses comunitários. O conteúdo abrange ainda aspectos relacionados à cultura brasileira, em especial a amazonense, em interação com a cultura venezuelana. Além disso, aborda temáticas que promovem o combate ao coronavírus, como os cuidados necessários para evitar a contaminação e sua propagação.



Para o diretor da faculdade de letras da Ufam e coordenador do projeto, Cácio José Ferreira, a ação vem para ajudar crianças e adolescentes com a concretização de algumas parcerias, inclusive da Semed.



“A Semed tem as ações em relação ao ensino e ao conhecimento desse público, e a universidade tem o arcabouço teórico. Com isso, o conhecimento prático da Semed e o teórico da universidade, possibilitou que isso fosse desenvolvido, pegando a experiência da Semed, que nos auxiliou com a prática e alguns materiais. Depois disso, haverá uma sequência por parte do Unicef, ou seja, repetirão as experiências e atividades com outros grupos”, conta o coordenador da Ufam.



Já o coordenador pedagógico das Aldeias Infantis SOS Brasil, Neilson Eduardo, afirmou que o projeto veio em um momento muito oportuno, pois os refugiados que vivem em abrigos precisam conhecer um pouco mais o idioma do país que residem agora.



“Esse é um projeto de suma importância nesse contexto que a gente vive com a população warao, porque é uma demanda que eles pedem sempre, o de aprender o português, uma vez que o idioma é fundamental para a pessoa participar do contexto oficial da cidade em que vive. As Aldeias Infantis vêm trabalhando com a população warao nos abrigos, desde janeiro, aqui em Manaus e Belém. A parceria com a Ufam, Unicef e Semed, proporciona desenvolver esse projeto dentro dos espaços”, frisou.