quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Às vésperas da eleição, Lula anuncia aumento de 15% no Bolsa Família

Benefício médio sobe de R$ 675 para R$ 777; medida terá custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027, segundo o Ministério da Fazenda. Anúncio ocorre em meio a pesquisas que mostram oscilação nas intenções de voto e empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a medida, o piso mensal do programa passa de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio sobe de R$ 675 para R$ 777 — alta nominal de aproximadamente R$ 100. O novo valor será aplicado a partir da folha de outubro, a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

O anúncio ocorre em meio a um cenário de oscilação nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (17), aponta Flávio com 47,2% e Lula com 46,8%, dentro da margem de erro de 1 ponto. No primeiro turno, Lula lidera com 44,1%, contra 41,7% de Flávio.

Já a PoderData/Aya, também divulgada nesta quinta-feira, mostra Flávio com 46% e Lula com 44% no segundo turno, e Lula com 37% contra 36% de Flávio no primeiro turno. A pesquisa Gerp aponta Flávio com 50% contra 43% de Lula no segundo turno, e Flávio com 40% contra 37% de Lula no primeiro turno.

Na CNT/MDA, divulgada em 15 de setembro, Lula aparece à frente no primeiro turno, com 40,5% contra 30,4% de Flávio, e também no segundo turno, com 47,3% contra 40,0%. Já a Quaest, divulgada em 14 de setembro, mostra Flávio com 42% e Lula com 40% no segundo turno, e Lula com 36% contra 31% de Flávio no primeiro turno.

Impacto fiscal

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o custo da medida será de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir da folha de outubro, e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027. O governo vai ajustar o projeto de lei orçamentária de 2027, já enviado ao Congresso, para acomodar a despesa extra.

Durigan afirmou que parte do espaço fiscal usado para bancar o reajuste vem da zeragem da fila do INSS, que teria gerado sobra de recursos. Segundo ele, a medida não altera a despesa total do governo nem exige créditos fora do orçamento já previsto. O ministro classificou o reajuste como uma medida de “justiça social” feita dentro do espaço fiscal do governo.

Wellington Dias reforçou que o custo do reajuste será absorvido dentro do orçamento deste ano, sem a edição de créditos extraordinários. Segundo ele, isso seria o contrário do que classificou como práticas usadas no passado, caso da chamada “PEC Kamikaze”. Para 2027, o impacto de R$ 22 bilhões será incorporado à proposta orçamentária ainda em tramitação no Congresso.

Exigência legal

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bruno Moretti, afirmou que a atualização foi autorizada pela legislação e será feita dentro do espaço fiscal do governo. Segundo ele, a recomposição, mesmo diante de uma inflação considerada baixa, é uma previsão da lei do Bolsa Família e um compromisso do governo com quem mais precisa. Wellington Dias reforçou que a correção é uma exigência legal e beneficia a população mais vulnerável.

O governo também associou o reajuste a mudanças na cobrança do Imposto de Renda: hoje isentam-se do imposto quem ganha até R$ 5 mil por mês e há desconto para quem ganha até R$ 7.350.