sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Correios: Trabalhadores entram em greve a partir desta sexta-feira por tempo indeterminado

Paralisação foi aprovada após negociações salariais terminarem sem acordo; o principal impasse é o plano de saúde. A empresa acumula 15 trimestres de prejuízo e aguarda empréstimo de R$ 7 bilhões.

Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em todo o país, com adesão de sindicatos de todos os estados. A decisão foi divulgada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) nesta sexta-feira (11), após assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10).

Segundo a Findect, a paralisação “marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo”. O principal impasse na mesa de negociação é o plano de saúde dos funcionários, já que a direção da estatal pretende fazer alterações no benefício.

“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, destacou a federação em nota.

Serviços afetados

Durante a paralisação, apenas os serviços administrativos internos continuam funcionando, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio. Ainda não há balanço consolidado sobre o impacto na entrega de correspondências e encomendas em todas as regiões.

Crise financeira e empréstimo

A estatal acumula 15 trimestres consecutivos no vermelho. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Embora o resultado negativo do segundo trimestre tenha sido inferior ao dos dois períodos anteriores — o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025 —, a cifra reflete o cenário de vulnerabilidade da companhia.

Para mitigar a crise, a empresa espera receber um novo empréstimo de R$ 7 bilhões até o dia 15 de setembro. Os recursos devem vir de um consórcio composto por três instituições financeiras estrangeiras — Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank — e o Banrisul, operação já confirmada nas demonstrações financeiras divulgadas no fim de agosto.

Sindicatos com adesão confirmada

O movimento paredista conta com a participação de sindicatos representativos de todas as regiões do país, englobando Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Campinas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Juiz de Fora, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima, Ribeirão Preto, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São José do Rio Preto, Santa Maria, Tocantins, Uberaba, Vale do Paraíba, Bauru e região, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santos e região, e São Paulo.