sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Governo bloqueia apostas de 800 mil pessoas com dívidas renegociadas

Cerca de 800 mil pessoas que renegociaram dívidas estão atualmente impedidas de realizar apostas em plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. O bloqueio faz parte das medidas de controle adotadas pelo governo para restringir o acesso de pessoas em situação de vulnerabilidade financeira às bets.

Até agosto deste ano, 827.304 pessoas tiveram o acesso bloqueado por esse motivo. Desse total, 794.181 estão vinculadas à modalidade destinada a inadimplentes, enquanto outras 33.123 têm relação com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O número faz parte de um contingente ainda maior de usuários que não podem apostar nas plataformas regulamentadas. Também estão incluídos cerca de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), bloqueados por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), além de mais de 1,2 milhão de pessoas que solicitaram voluntariamente a autoexclusão.

Somados, os grupos representam aproximadamente 10% dos 40 milhões de usuários ativos cadastrados no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e disponibilizada em dezembro de 2025, permite que os próprios usuários solicitem o bloqueio de suas contas nas plataformas autorizadas.

Entre os mais de 1,2 milhão de pedidos registrados, a principal justificativa foi a “perda de controle sobre o jogo – saúde mental”, responsável por 35,93% das solicitações. Em segundo lugar aparece a preocupação com o uso de dados pessoais pelas empresas de apostas, motivo citado em 20,63% dos pedidos.

A maioria das solicitações, 66,95%, corresponde a bloqueios por período indeterminado. Outros 21,6% optaram pela suspensão do acesso durante um ano.

Além do bloqueio, a plataforma oferece cursos gratuitos voltados a consumidores e apostadores, com conteúdos sobre comportamento, organização financeira e situações de vulnerabilidade, incluindo o superendividamento.