segunda-feira, 27 de julho de 2026

Novo mapa 3D da Nasa expõe irregularidades no campo gravitacional da Terra

A Nasa divulgou um novo modelo tridimensional que revela, com alto nível de precisão, como a gravidade se distribui ao redor da Terra. A imagem chamou atenção por mostrar um planeta com formato bastante irregular, mas os cientistas explicam que ela não representa a aparência real da Terra.

O mapa retrata o chamado geoide, uma superfície teórica que corresponde ao nível médio dos oceanos caso as águas estivessem completamente paradas e fossem influenciadas apenas pela gravidade e pela distribuição de massa no interior do planeta, como rochas, magma e água.

Para destacar as diferenças no campo gravitacional, as variações verticais foram ampliadas entre 7 mil e 10 mil vezes. Sem essa ampliação, as irregularidades seriam praticamente imperceptíveis.

Segundo Michael Watkins, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, a gravidade terrestre apresenta “colinas” e “vales” provocados pela distribuição desigual de materiais nas camadas internas do planeta. No modelo, as áreas em vermelho indicam regiões com maior concentração de massa e gravidade mais intensa, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia. Já as áreas em azul representam locais com menor densidade e gravidade mais fraca, como partes do Oceano Índico e da bacia do Rio Congo.

O levantamento também mostra diferenças significativas na altura do geoide. O ponto mais elevado está na Islândia, cerca de 85 metros acima do nível médio do mar, enquanto o mais baixo fica ao sul da Índia, aproximadamente 106 metros abaixo.

Batizado de GOCO06, o modelo foi desenvolvido com base na análise de mais de 1 bilhão de medições coletadas ao longo de 15 anos por 19 satélites. O projeto reúne dados da missão GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do programa Grace, desenvolvido pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão.

Os satélites da missão Grace monitoram pequenas variações no campo gravitacional provocadas pelo deslocamento de água em oceanos, rios, aquíferos e geleiras. Essas informações ajudam os cientistas a acompanhar o ciclo da água no planeta, avaliar a disponibilidade de recursos hídricos e monitorar a elevação do nível do mar provocada pelas mudanças climáticas.