
O impacto de possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz, passagem crucial para o petróleo do Oriente Médio, no preço dos combustíveis para o consumidor final pode não ser imediato. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), avalia que rotas alternativas e a capacidade de produção de países como o Brasil podem diluir os efeitos de tensões na região.
Rotas alternativas e produção brasileira como amortecedores
Ardenghy pondera que o fechamento do Estreito de Ormuz não interrompe totalmente o fluxo de petróleo da região, pois existem vias alternativas. Países como Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos e rotas logísticas que permitem o escoamento de parte de suas exportações para outros mercados, como o Mar Vermelho.
“Há algumas alternativas, não para garantir todo aquele volume que passa no Estreito de Ormuz, mas, pelo menos, para uma parcela importante. Portanto, não haverá mudança de patamar de preço de modo estável, no mínimo, pelos próximos 60 a 90 dias”, avaliou o presidente do IBP.
Brasil como ator relevante no mercado internacional
O Brasil, com uma produção de 3,8 milhões de barris por dia em 2025 e exportação de 1,7 milhão, já se posiciona como um importante player no mercado global. Ardenghy destaca o potencial de aumento da produção nacional, especialmente com a exploração de novas áreas como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.
“Somos atores importantes e podemos inclusive contribuir com essa falta de petróleo ou essa escassez que venha do Oriente Médio e compensar com a nossa produção atual e a futura. Hoje, o Brasil já é um produtor relevante. Somos o nono maior produtor e o nono maior exportador mundial de petróleo”, pontuou.
Reorientação dos fluxos globais e segurança energética
A expectativa é de uma reorientação dos fluxos globais de comércio de petróleo e gás natural. Países asiáticos, como Japão, Coreia, China e Índia, que dependem significativamente do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, buscarão diversificar suas fontes de suprimento.
Ardenghy ressalta que, mesmo que a situação no Oriente Médio se normalize, a incerteza sobre a continuidade dessa estabilidade em médio e longo prazo justifica a necessidade de o Brasil manter e expandir sua atividade petrolífera.
“Somos um produtor confiável de petróleo, temos a presença, no Brasil, de grandes empresas internacionais, a presença também da Petrobras como uma empresa com muita experiência na produção e na exportação de petróleo”, indicou.
A manutenção da atividade petrolífera, pesquisa geológica e perfuração em novas áreas é vista como fundamental para garantir a segurança energética do Brasil nas próximas décadas e gerar divisas através da exportação.
Com informações da Agência Brasil







