sábado, 18 de julho de 2026

Estudo do Instituto Esfera pede mais políticas públicas para mulheres na menopausa

Um estudo divulgado pelo Instituto Esfera, em Brasília, aponta a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a redução dos impactos da menopausa na vida das mulheres. A pesquisa destaca a vulnerabilidade acentuada de mulheres negras e em situação de fragilidade socioeconômica durante este período.

Clarita Costa Maia, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, explicou à Agência Brasil que a menopausa afeta de forma mais intensa mulheres negras e aquelas residentes em comunidades desassistidas, agravando os efeitos na saúde e no mercado de trabalho.

Vulnerabilidade profissional e familiar

Mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas vezes chefes de família, enfrentam maior fragilidade no ambiente de trabalho. Os sintomas da menopausa, quando não tratados, podem comprometer a relação profissional e, consequentemente, o sustento familiar.

O estudo considera que políticas públicas eficazes devem reconhecer que o cuidado com a mulher na menopausa é essencial para a estabilidade de todo o núcleo familiar.

Saúde mental em foco

A falta de tratamento adequado para os sintomas da menopausa pode levar a sérias consequências para a saúde mental, incluindo maior risco de desenvolver Alzheimer e depressão, segundo a pesquisadora.

O documento também aborda o fenômeno da menopausa precoce, associado ao estilo de vida moderno, e a crescente atenção necessária devido ao envelhecimento populacional.

Necessidade de mapeamento nacional

O estudo defende a realização de um mapeamento nacional sobre a menopausa para uma compreensão mais profunda da realidade brasileira. A ausência de políticas públicas estruturadas gera custos significativos para a saúde, a Previdência Social e a produtividade nacional.

Dados internacionais indicam custos anuais bilionários associados à menopausa, com queda na renda das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam nesta fase, com 87,9% apresentando sintomas, mas apenas 22,4% buscando tratamento.

“Tratar a menopausa como política pública não significa patologizar o envelhecimento feminino, mas reconhecê-lo como etapa legítima do ciclo de vida que demanda cuidado, informação e proteção institucional”, afirma o documento.

Maior atenção do Ministério da Saúde

Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, destacou o aumento da atenção à saúde da mulher no contexto do envelhecimento populacional. Ela mencionou a ativa participação de grupos de mulheres na menopausa em fóruns recentes do ministério.

Com informações da Agência Brasil