
Manaus foi palco do segundo ato nacional de celebração pelos 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), no último sábado (28/02). O evento, realizado no Centro Cultural Palácio da Justiça e no Teatro Amazonas, reuniu artistas, gestores e coletivos teatrais de todo o país para debater a memória, a continuidade e o futuro das políticas públicas para as artes no Brasil.
Preservação da memória em foco
A programação teve como eixo central a preservação da memória dos grupos teatrais brasileiros, tema apontado como prioridade no Encontro Nacional de Políticas para o Teatro realizado em 2025. O gestor cultural Márcio Braz anunciou o mapeamento nacional de grupos de teatro de ação continuada, a ser realizado pela plataforma Rede das Artes.
“Vamos iniciar uma convocatória nacional para que coletivos compartilhem seus dados. Sabemos que somos muitos, movimentamos a economia, empregamos pessoas e estamos em todo o Brasil, mas isso precisa se tornar visível”, explicou Braz.
Roda de conversa com grupos históricos
A roda de conversa “Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro” contou com a participação de representantes de coletivos como Grupo Galpão (MG), Bando de Teatro Olodum (BA), Cia Vitória Régia (AM), Grupo Imbuaça (SE), Tá na Rua (RJ), Teatro Experimental de Alta Floresta (MT) e Ói Nóis Aqui Traveiz (RS).
A atriz Rosa Malagueta ressaltou a importância simbólica do evento na região Norte. “Fazer parte dessa história com tantos artistas reunidos é muito bacana. Saber que a Funarte veio celebrar esses 50 anos na Amazônia, em Manaus, é muito prazeroso”, afirmou.
Lançamento de publicações
No Palácio da Justiça, foram lançados o livro “Por um Museu de Memórias da Cena”, que reflete sobre a preservação de acervos teatrais, e a edição nº 22 da revista Cavalo Louco, que amplia o debate sobre documentação e permanência das artes da cena.
Espetáculo “Sebastião” no Teatro Amazonas
A celebração culminou no Teatro Amazonas com a apresentação do espetáculo “Sebastião”, do Ateliê 23. A montagem mergulha nas memórias do Bar Patrícia, primeiro reduto gay de Manaus nos anos 1970, combinando relatos pessoais, música e vivências LGBTQIAPN+.
Instituída em 1975, a Funarte reafirma, em seu cinquentenário, a necessidade de políticas públicas estruturantes para as artes, entendidas como direito coletivo. A celebração em Manaus projetou caminhos para a continuidade do teatro de grupo e para a consolidação de uma política cultural mais ampla, descentralizada e participativa no país.
Com informações da Agência Amazonas







