segunda-feira, 27 de julho de 2026

Censo Escolar 2025: matrículas na educação básica caem 1 milhão, mas MEC aponta avanços

O Censo Escolar 2025 registrou uma queda de 1,082 milhão de matrículas na educação básica em comparação com o ano anterior, totalizando 46,018 milhões de estudantes. Segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), essa redução não é vista como um problema, mas sim como um reflexo da diminuição da população em idade escolar e da melhoria de indicadores educacionais.

Queda de matrículas explicada por fatores demográficos e pedagógicos

A redução no número de alunos, de acordo com Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, deve-se principalmente à queda na população de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE indicam um recuo de 8,4% na população de 0 a 3 anos entre 2022 e 2025.

Outro fator apontado pelo MEC é a diminuição das taxas de repetência e da distorção idade-série. O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que, com menos alunos repetindo o ano e mais estudantes concluindo os estudos no tempo adequado, o número total de matrículas tende a diminuir.

“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas.”, afirmou Santana.

Avanços na educação infantil e conectividade

Apesar da queda nas matrículas gerais, o Censo Escolar de 2025 apontou avanços em outras áreas. A educação infantil atingiu 41,8% de crianças de 0 a 3 anos com acesso à creche, aproximando-se da meta de 50% do Plano Nacional de Educação (PNE).

O MEC informou a criação de 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas em 2025 e que o Novo PAC prevê R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas creches.

A conectividade nas escolas da educação básica também apresentou melhora significativa, com o percentual de escolas com acesso à internet subindo de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. O investimento de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025 contribuiu para esse avanço, especialmente na região Norte.

Análise de especialistas

Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, reforçou que a queda nas matrículas, embora represente o menor número desde 2021, deve ser analisada em conjunto com dados demográficos e de frequência escolar.

“Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. Dito isso, o desafio permanece: precisamos garantir que todos os estudantes tenham acesso, permanência e qualidade no aprendizado em todas as etapas. E isso exige uma articulação federativa mais forte e estratégica.”, disse Guedes.

Com informações da Agência Brasil