terça-feira, 28 de julho de 2026

Carnaval seguro: especialistas alertam para cuidados essenciais com saúde e hidratação

Com a chegada do Carnaval, a alegria e a agitação tomam conta das ruas, mas é fundamental que a diversão venha acompanhada de cuidados para garantir a saúde e a segurança de todos. Especialistas alertam para a importância da hidratação, alimentação adequada e atenção redobrada com o consumo de álcool e outros fatores de risco comuns durante as festas.

Hidratação como prioridade

A nutricionista Anete Mecenas, da Universidade Estácio, destaca que a longa exposição ao calor exige atenção especial à ingestão de líquidos. A recomendação é consumir, no mínimo, dois litros de água por dia, além de água de coco e bebidas isotônicas para repor sais minerais e prevenir a desidratação e o mal-estar.

“O foco é aumentar a ingestão de água, água de coco, bebidas isotônicas, que vão prevenir mal-estar associado à desidratação”, explica Mecenas. Ela também ressalta a importância de não pular refeições, optando por alimentos leves e de fácil digestão, como iogurtes, frutas, sanduíches naturais e castanhas. Evitar alimentos como maionese e aqueles de procedência duvidosa ou conservados inadequadamente é crucial para prevenir contaminações e infecções intestinais.

Alimentação e álcool: um equilíbrio necessário

A especialista alerta para os perigos dos alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, sódio e açúcar, que podem levar a problemas digestivos e desequilíbrios glicêmicos. A preferência deve ser por alimentos minimamente processados, como frutas, verduras e legumes. Refeições completas, como arroz, feijão e frango, são mais indicadas do que opções prontas e de rápida absorção, mas com baixo valor nutricional.

Em relação ao álcool, Anete Mecenas aconselha intercalar o consumo com água para evitar a desidratação e nunca beber em jejum, pois isso intensifica o desconforto. Após a folia, uma alimentação rica em proteínas, verduras, legumes e frutas é recomendada para auxiliar na recuperação do corpo.

Controle de danos e prevenção de doenças

O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa, do Hospital Sírio Libanês, reforça que a hidratação atua como um “controle de danos” em um período de riscos como o Carnaval, que envolve privação de sono, calor intenso, álcool e alimentação irregular.

“Isso é um resultado que aparece nos prontos-socorros todos os anos. Diarreia, vômito, desidratação, refluxo intenso, crises fortíssimas de gastrite, muitas vezes hepatites alcoólicas”, comenta Barbosa. Ele enfatiza que a perda hídrica pelo suor e pelo álcool reduz o fluxo sanguíneo gastrointestinal, favorece a constipação e a queda da imunidade. A ingestão mínima recomendada é de 35 ml de água por quilo de peso.

Barbosa também alerta para a procedência duvidosa de bebidas vendidas em blocos de rua, que podem levar a intoxicações graves, como a por metanol. O sono adequado e o cuidado com o uso excessivo de anti-inflamatórios e antiácidos também são pontos importantes para a saúde.

Atenção às complicações cardiovasculares

O cardiologista Leandro da Silva Elias, do Instituto de Educação Médica (Idomed), alerta que o calor excessivo pode sobrecarregar o coração e o sistema circulatório, aumentando o risco de complicações cardiovasculares. O corpo trabalha mais para dissipar o calor, o que pode levar ao aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial e desidratação.

Idosos, crianças, bebês e pessoas com comorbidades (obesos, diabéticos, cardiopatas, doentes renais) formam o grupo de maior risco. A desidratação, associada ao álcool, pode desencadear arritmias, desmaios e tonturas, necessitando de atendimento médico.

Elias também chama a atenção para a insolação (golpe de calor), uma condição grave onde o corpo não consegue regular sua temperatura, podendo levar a danos cerebrais e falência de órgãos. O uso de drogas durante o Carnaval também é um fator de risco significativo para a saúde cardiovascular, podendo acelerar quadros de palpitações e piorar a desidratação.

Em caso de sintomas como diarreia persistente (mais de 48 horas), vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal progressiva, é fundamental procurar um pronto-socorro imediatamente.

Com informações da Agência Brasil