sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Anistia Internacional critica absolvição de PMs e diz que vítima virou réu em julgamento

ONG critica absolvição de PMs e aponta inversão de papéis no julgamento de adolescente morto a tiros

A Anistia Internacional (AI) expressou profunda indignação com a absolvição de dois policiais militares acusados de matar o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, com tiros de fuzil na comunidade Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, em agosto de 2023.

A organização de direitos humanos condenou o que chamou de desvio de foco durante o julgamento, onde Thiago teria sido tratado como criminoso em vez de vítima da violência policial. “Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve reiteradas tentativas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução”, afirmou a AI em nota.

Absolvição é vista como derrota na luta por justiça

Em um julgamento que durou dois dias e foi marcado por debates acalorados, os jurados decidiram, por maioria, absolver os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, que à época serviam no Batalhão de Choque. A AI considera a absolvição uma “derrota na luta por justiça, memória e reparação” e manifestou solidariedade à família de Thiago.

A organização ressaltou que a história de Thiago é um retrato da realidade que atinge desproporcionalmente crianças e jovens negros no Brasil, em um contexto de política de segurança pública com “práticas violentas e racistas”. A AI defende a interrupção da lógica de militarização e da narrativa de “guerra às drogas”, além da responsabilização de todos os agentes estatais envolvidos em operações letais.

Adolescente morto a tiros não tinha relação com crime

Thiago Menezes estava na garupa de uma moto, pilotada por Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, quando foi atingido por disparos de fuzil. Marcos Vinicius, que sobreviveu com um tiro na mão, testemunhou que ambos não estavam armados e não tinham ligação com o tráfico. Os policiais, que estavam em um carro descaracterizado, teriam saído do veículo atirando. Thiago, que sonhava em ser jogador de futebol, foi atingido pelas costas e não possuía antecedentes criminais, com boletins escolares atestando alta frequência.

A Anistia Internacional também ampliou o debate sobre a violência policial, reforçando seu compromisso com movimentos de mães de vítimas da violência do Estado, especialmente mulheres negras em territórios vulnerabilizados.

Com informações da Anistia Internacional