domingo, 7 de junho de 2026

Imersão na Fiocruz inspira meninas a seguir carreira científica

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem promovido, desde 2020, uma imersão de verão que visa despertar o interesse de estudantes do ensino médio por carreiras científicas, com foco especial em meninas. A iniciativa, alinhada ao Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, busca combater a sub-representação feminina em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

A imersão deste ano reuniu 150 alunas de diversas regiões da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Durante três dias, as estudantes tiveram contato com pesquisadoras e conheceram o trabalho desenvolvido em 13 unidades da Fiocruz. O objetivo é desmistificar a ciência e mostrar que a curiosidade e a disciplina são mais importantes do que o “gênio” inato.

Um olhar para o futuro científico

Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira, 17 anos, participou da imersão pela segunda vez e levou uma amiga, Beatriz Antônio da Silva, também de 17 anos. Ambas foram incentivadas por professoras que atuam em projetos para estimular a entrada de meninas negras na ciência. “Ela é uma boa contadora de histórias. E ela sempre falava como foi difícil, porque ela era uma das únicas mulheres na sala da faculdade, e foi negligenciada e sempre sofreu muito preconceito. Então, ela quer abrir portas para a gente”, relata Beatriz.

Beatriz Duqueviz, analista de gestão em saúde pública e coordenadora do Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz, destaca a importância da iniciativa. “A Fiocruz é uma instituição centenária, e só se pensou nesse programa na gestão da Nísia Trindade. Então, a importância de mulheres ocuparem esse espaço é pela diversidade, mas também pela sensibilidade e pela luta.” O programa atua em três frentes: reconhecimento de cientistas mulheres, pesquisas sobre gênero e estímulo ao interesse pela ciência entre meninas.

Diversidade de áreas e superação de barreiras

Duane de Souza, 17 anos, que já tem certeza de que quer cursar biologia, viu na imersão uma oportunidade de ampliar sua visão sobre as possibilidades dentro da área. “Antes, eu achava que fazer pesquisa era uma coisa muito complicada, mas aqui eu percebi que não é exatamente assim”, conta. A programação incluiu visitas a laboratórios tradicionais, mas também a espaços como o Laboratório de Conservação Preventiva e a redação da Revista Cadernos de Saúde Pública, mostrando a pluralidade do trabalho científico.

Luciana Dias de Lima, co-editora chefe da revista, ressalta que alcançar posições de destaque na carreira ainda é um desafio para as mulheres, que muitas vezes precisam conciliar o trabalho com responsabilidades familiares e enfrentar estereótipos. “A gente sempre tem que compartilhar o horário de trabalho, com várias outras atribuições, como cuidado com a família. Fora os estereótipos de qual é o ‘nosso lugar'”.

Sulamita do Nascimento Morais, 17 anos, já sabe que quer estudar ciência da computação. Ela conta que, antes de participar de projetos de estímulo à ciência, sequer imaginava seguir carreira em tecnologia, área ainda vista por muitos como predominantemente masculina. “Através desses projetos e da imersão, eu pude ver que dá, sim, pra você seguir esses trabalhos, se impor e ter voz sendo mulher”.

Com informações da Agência Brasil