terça-feira, 28 de julho de 2026

Educação humanitária: como ensinar crianças e adolescentes a respeitar os animais

A recente onda de violência contra animais, como o caso do cão Orelha em Florianópolis, reacendeu o debate sobre a necessidade de educar crianças e adolescentes para o respeito e a empatia com os seres vivos. Organizações não governamentais e programas públicos de São Paulo têm apostado na “educação humanitária em bem-estar animal” como ferramenta essencial para prevenir e combater a crueldade, transformando a relação com os animais em um caminho para uma sociedade menos violenta.

A importância da empatia e do contato com animais

Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da Ampara Animal, destaca que a violência contra animais pode ser um reflexo de outras violências sofridas pelo indivíduo e um indicador de risco para agressões a grupos vulneráveis. “Temos que tentar ensinar saindo de uma visão e uma educação antropocêntricas”, afirma Gerbara. A “educação humanitária em bem-estar animal” busca criar uma sociedade mais empática, com menos violência e maior respeito.

A aproximação com os animais deve ser gradual, ensinando a gentileza, o respeito ao tempo e ao comportamento de cada espécie. A interação, seja na natureza ou em ambientes mais próximos do seu modo de vida, é fundamental para o desenvolvimento da empatia, ajudando crianças a entender sentimentos e necessidades, reduzindo comportamentos de violência e intolerância.

Quebrando a ideia de animal como objeto

Viviane Pancheri, voluntária da ONG Toca Segura, ressalta a importância de quebrar a percepção do animal como um objeto. “É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo, abandono, felicidade, enfim, que são sencientes”, explica. A ONG promove a “educação empática” em seu abrigo, onde famílias e voluntários aprendem sobre cuidado e atenção com os cerca de 400 animais sob sua responsabilidade.

A Toca Segura organiza eventos como “domingos de passeio”, onde voluntários levam os animais para curtas caminhadas. Essa atividade não só ajuda os animais a se acostumarem com a presença humana, tornando-os mais dóceis e facilitando a adoção, mas também permite que crianças e adolescentes desenvolvam interação e cuidado. Um exemplo inspirador é o de uma menina que superou o medo de cachorros e hoje é veterinária.

Responsabilidade e exemplo na formação de valores

Para crianças maiores e adolescentes, a questão da responsabilidade é central. A supervisão é crucial ao introduzir o cuidado com animais, ensinando a forma correta de agir. Alimentar cães comunitários, por exemplo, com supervisão e elogios às boas ações, contribui para a formação de um ser humano mais consciente e gentil.

Programas públicos de adoção e educação ambiental

Em São Paulo, a prefeitura mantém um programa de adoções com foco em guarda responsável e educação ambiental. O centro de adoções recebe grupos escolares, onde o contato mediado com os animais visa criar consciência. Telma Tavares, da Secretaria Municipal de Saúde, explica que “a criança é um agente multiplicador, leva para sua família e sua comunidade informações e o entendimento de como é importante respeitar os animais”.

O projeto “Superguardiões” e o programa “Leituras”, onde crianças leem para cães e gatos, são exemplos de ações que sensibilizam e educam. Essas iniciativas não só facilitam a adoção, mas também acostumam os animais com as visitas, tornando-os mais dóceis e promovendo práticas sustentáveis.

Com informações da Agência Brasil