quinta-feira, 4 de junho de 2026

Líder do CV de altíssima periculosidade passa por cirurgia em um dos hospitais mais caros do Rio

Um dos nomes mais temidos da criminalidade no Rio de Janeiro e integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), Alexander de Jesus Carlos, o Choque, chefe do tráfico em Manguinhos e ex-foragido mais procurado do estado, foi submetido a uma cirurgia de vesícula no Hospital Samaritano, em Botafogo — uma das unidades mais caras e sofisticadas da capital. O custo do procedimento ultrapassou R$ 24 mil.

A internação, autorizada pela Vara de Execuções Penais, levantou um questionamento sobre a possibilidade de detentos cumprirem tratamento médico em instituições particulares. Embora previsto na Lei de Execução Penal, o deslocamento para hospitais de alto padrão é considerado medida excepcional, utilizada quando não há condições adequadas no sistema prisional ou na rede pública.

O quarto ocupado pelo traficante no hospital incluía TV, ar-condicionado com controle automatizado, poltronas massageadoras, frigobar, enxoval e atendimento bilíngue — um contraste absoluto com as celas do presídio Gabriel Ferreira Castilho, onde ele estava detido até a saída para a cirurgia.

Antes de ser transferido para o hospital particular, Carlos passou por diversos atendimentos no ambulatório do presídio. Apenas em maio, foi encaminhado a uma UPA pelo menos quatro vezes, queixando-se de dores ao urinar e fortes dores abdominais. Em 11 de junho, durante fiscalização no presídio, um juiz do Gabinete de Execuções Penais registrou em despacho que o detento afirmava ter pedra na vesícula.

No dia 25 de julho, o mesmo juiz comunicou que o procedimento já estava agendado e que o Ministério Público havia se posicionado favoravelmente à transferência temporária. Ele solicitou que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) fosse avisada com urgência para organizar a escolta e providências necessárias no Hospital Samaritano, em Botafogo. A saída ao hospital ocorreu em 8 de agosto.

Escoltado por policiais penais durante todo o trajeto e permanência, Choque, porém, permanece no hospital, em uma estadia que já dura mais tempo do que o previsto inicialmente – que era de apenas um dia – após, segundo sua defesa, ter complicações que levaram a um segundo procedimento cirúrgico.

O caso ganhou novos contornos na última segunda-feira (11), quando o juiz titular da Vara de Execuções Penais revogou a gratuidade de justiça do preso, benefício que o isentava de custos processuais. A decisão foi baseada nas informações de que a cirurgia e a estadia hospitalar envolviam despesas elevadas.

O Tribunal de Justiça do RJ disse que a Vara de Execuções Penais oficializou pedido ao hospital para esclarecer o quadro clínico e justificar a permanência de Choque. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), por sua vez, confirmou que o preso segue sob escolta e retornará ao presídio após liberação médica.

Já o Hospital Samaritano alegou que não pode fornecer informações por conta da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).